Com receio de traição, Bolsonaro troca núcleo duro do governo

Presidente da República, Jair Bolsonaro durante reunião com Jorge Antonio de Oliveira Francisco Foto: Marcos Correa / Presidência da República

BRASÍLIA — Enquanto integrantes do que era considerada a cúpula da campanha eleitoral foram alijados do governo, o presidente Jair Bolsonaro se cercou de amigos de longa data, assessores dos tempos da Câmara ou auxiliares que contam com a bênção de seus filhos, principalmente a do vereador Carlos Bolsonaro . O novo núcleo duro, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, reflete o constante receio de Bolsonaro de ser traído por aliados de ocasião.

Com acesso irrestrito ao gabinete e prioridade no WhatsApp presidencial, esse grupo é composto por assessores e alguns ministros. Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral e Subchefia de Assuntos Jurídicos, é o novo homem forte do Planalto, com direito a uma sala no terceiro andar, onde fica o gabinete do presidente. Oliveira é filho do capitão do Exército Jorge Francisco, morto em abril de 2018 e que por 20 anos atuou como chefe de gabinete de Bolsonaro. Advogado e major da Polícia Militar, o ministro também foi chefe de gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, também se tornou presença fundamental no entorno. Amigo de longa data de Bolsonaro, ele substituiu o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido em junho.

De seu tempo na Câmara, Bolsonaro trouxe para o Planalto o major reformado Pedro César Sousa, que assumiu a chefia de gabinete, e o ex-assessor parlamentar da Marinha Célio Faria Júnior, como seu assessor-chefe. Discretos, segundo interlocutores, ambos acompanham as discussões, mas pouco opinam sobre os temas da gestão. A eles, Bolsonaro entregou a missão de manter a “tranquilidade” e a “organização” do ambiente presidencial.

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