Eleições 2018: o que pensa Geraldo Alckmin sobre política externa

Geraldo Alckmin, candidato à presidência pelo PSDB
Geraldo Alckmin, candidato à presidência pelo PSDB (Paulo Whitaker/Reuters)

Da Exame – Crise na Venezuelarefugiados, integração latino-americana e Donald Trump são alguns dos desafios que o próximo presidente enfrentará em sua agenda de política externa, um tema que é frequentemente ignorado nos debates, mas extremamente relevante em um momento em que o cenário internacional se torna cada vez mais complexo.

Para entender como os candidatos à presidência se posicionam sobre esses assuntos, EXAME está entrevistando os principais nomes na disputa das eleições 2018. Abaixo, veja a entrevista realizada com o Geraldo Alckmin(PSDB).

EXAME – Como o seu governo pretende lidar com a imigração de venezuelanos para o Brasil e qual será a sua postura em relação ao governo de Nicolás Maduro, se eleito?

Geraldo Alckmin – A saída em massa dos refugiados venezuelanos representa o maior problema para os países sul-americanos. Nos últimos anos, 57.000 entraram no Brasil. O Brasil deve acolher, proteger e prestar assistência aos imigrantes de nosso vizinho, por questões humanitárias e de direitos humanos. Temos de continuar nossa tradição humanística e manter a fronteira aberta.

Vamos apoiar o governo de Roraima, Estado com recursos limitados e sobrecarregado com o número de refugiados. A política de internalização em outros Estados vai ser ampliada. Vamos procurar aumentar o apoio de ONGs, organizações internacionais e governos amigos. Vamos também promover uma campanha contra a xenofobia, contrária à nossa índole.

A situação política e econômica na Venezuela é fator de desestabilização da região. Maduro lidera um governo autoritário, quebrou o país, a inflação está fora de controle, o país está mergulhado em profunda recessão, a produção de petróleo está em queda e as medidas econômicas tomadas se mostram inócuas.

A Venezuela será uma das minhas prioridades na política externa, no curto prazo. Os problemas de fronteira com o tráfico de drogas e de armas são muito preocupantes e afetam nossa segurança. Ao Brasil interessa uma Venezuela que supere seus problemas internos e cresça. Devemos ter uma atitude mais proativa para buscar uma solução política para a crise. Sou contrário a qualquer intervenção militar externa.

EXAME – O narcotráfico é hoje uma das maiores ameaças à segurança nacional e é uma questão que não está dissociada da política externa, uma vez que envolve países vizinhos. Qual é a sua proposta para combater o tráfico internacional?

Geraldo Alckmin – De fato, não é com a militarização da fronteira que vamos conseguir vitórias importantes contra o narcotráfico. Nossa prioridade é ampliar o esforço diplomático e de assistência internacional aos países vizinhos em matéria jurídico-policial com base nos tratados e convenções de organizações multilaterais como a ONU, Interpol e OEA.

Na prática, toda a cocaína do mundo é produzida pela Bolívia, Colômbia e Peru, sendo a Venezuela um importante entreposto de exportação da droga para EUA e Europa. Atividades diversas de contrabando movimentaram cerca de 15 bilhões de reais apenas no Estado de São Paulo, conforme estudo da FIESP de 2017.

Propomos ainda aprimorar os instrumentos de gestão compartilhada e integrada de informações entre os estados e o governo federal e investir na gestão de tecnologia de monitoramento e despacho operacional para o atendimento de ocorrências na região da fronteira.

Outra preocupação é garantir a continuidade e a expansão do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) e do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que atualmente faz parte do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e é responsável pelo controle ambiental, do tráfego aéreo, a coordenação de emergências na região e o controle de ações de contrabando.

Veja mais clicando aqui.

Leave a Comment