Ibama abre investigação após mais de 3,5 toneladas de lixo serem recolhidas de praias do RN

Lixo encontrado na praia de Tabatinga, em Nísia Floresta, no litoral Sul do Rio Grande do Norte — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi
Lixo encontrado na praia de Tabatinga, em Nísia Floresta, no litoral Sul do Rio Grande do Norte — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) abriu nesta sexta-feira (23) uma investigação para apurar o lixo encontrado nas praias do litoral sul do estado desde quarta-feira (21). A informação foi confirmada pelo superintendente estadual, Rondinelle Oliveira.

O órgão nacional explicou que essa investigação é um acompanhamento secundário e que a investigação principal, neste momento, está a cargo dos órgãos estaduais. Foi recomendado também a limpeza imediata das praias. O Ibama não deu mais detalhes sobre o tema.

Em nota, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) disse que entrou em contato com os municípios afetados pelo lixo e com a os governos da Paraíba e Pernambuco “para verificar a ocorrência de algum incidente ambiental que possa ter ocasionado o aparecimento de resíduos sólidos” no RN.

O Idema disse ainda que “recomenda que os municípios afetados recolham o material o mais rápido possível, evitando que retornem aos oceanos e provoquem outros prejuízos enquanto o ocorrido não é esclarecido”.

Pelo menos 3,5 toneladas de lixo foram recolhidos nas praias do estado até esta sexta-feira (23) em praias de Baía FormosaTibau do Sul, Nísia Floresta e Canguaretama.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente disse que “embora a responsabilidade pela gestão de resíduos seja dos municípios, o Ministério do Meio Ambiente apoia o combate ao lixo no mar a partir de duas frentes de ação: a prevenção, por meio do Programa Lixão Zero, de forma a evitar que o lixo chegue nos rios, na praia e no mar, com medidas como a coleta seletiva, logística reversa e a reciclagem, e a recuperação ambiental, por meio de ações de limpeza de rios e praias”.

“De forma a evitar aglomerações, o Ministério do Meio Ambiente aguarda a normalização das condições sanitárias para realização de mutirões, mas prossegue com ações de fiscalização, como a megaoperação realizada recentemente pelo Ibama no Porto de Santos, que resultou em mais de 70 embarcações vistoriadas”.

Para auxiliar na investigação do Ibama, o município de Tibau do Sul enviou um relatório ao órgão nesta sexta que aponta que o trecho atingido pelo lixo no município é de desova de tartarugas. Segundo o relatório, foram encontrados materiais como fragmentos de madeiras, garrafas pets, recipientes plásticos, isopor, sacos plásticos, máscaras descartáveis e seringas.

Além do Ibama, o relatório desenvolvido por Tibau do Sul também será entregue ao Ministério Público Federal e à Capitania dos Portos, para investigação da origem do lixo. O município informou que as equipes conseguiram limpar nesta tarde de sexta-feira todo o trecho que foi afetado na Praia do Minas e que iniciou a limpeza na Praia de Sibaúma.

Lixo encontrado em praia de Baía Formosa, no litoral Sul do Rio Grande do Norte — Foto: Fernanda Zauli/G1

Lixo encontrado em praia de Baía Formosa, no litoral Sul do Rio Grande do Norte — Foto: Fernanda Zauli/G1

Relatório em Tibau do Sul

Segundo o relatório, a Praia das Minas é ponto de desova de tartarugas. O documento aponta que quantidade de lixo plástico que foi encontrado pode se tornar um risco a essas espécies. “Pode-se presumir que os resíduos foram trazidos até a costa por meio da ação das ondas e do fluxo da maré. Em sua grande maioria, materiais plásticos, por apresentarem alta flutuabilidade, sendo assim de fácil deslocamento”.

“Diante do cenário narrado, é possível afirmar que a concentração elevada dos resíduos no ambiente, acarretará danos a toda biota marinha. Como citado anteriormente, a ingestão dos resíduos pode acarretar a morte dos animais, proporcionando um desequilíbrio para o ecossistema local.”

Segundo o documento, “os danos gerados pelos impactos dos resíduos ao longo da costa, como a mortalidade de tartarugas, poderá promover um prejuízo no intervalo de tempo do ciclo de recomposição das espécies encontradas no local”.

De acordo com o Projeto Tamar, a espécie de tartaruga que desova na região é a Eretmochelys Imbricata, popularmente conhecida como Tartaruga de Pente, espécie que está “criticamente em perigo” em relação à extinção.

O relatório indica ainda que “boa parte dos resíduos se mostram oriundos da atividade humana, de caráter doméstico, hospitalar e comercial”, e que portanto “acredita-se que os mesmos tenham sido depositados de forma criminosa”.

Por conta do aparecimento do lixo, a secretaria Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo e Mobilidade recomendou a monitoração o trecho para detectar uma possível a aparição de novos materiais.

Arte lixo praias nordeste  — Foto: Arte G1

Arte lixo praias nordeste — Foto: Arte G1

G1RN

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