Lula pode ter prisão decretada quarta feira próxima

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter sua prisão decretada nesta próxima quarta feira, 21. É o que noticia o UOL.com.br, mostrando sete motivos em os Ministério Público Federal pede a condenação e prisão de Lula.

O prazo dos juiz Sérgio Moro está se esgotando para proferir a sentença. Será Lula condenado ou inocentado?

O sete motivos:

1 – Formação de esquema de desvios.

Para o MPF, o ex-presidente, quando no Planalto, liderou um esquema de “macrocorrupção”, que usou cargos públicos como “verdadeiros postos avançados de arrecadação de propinas ou vertedouros de recursos escusos”. O objetivo seria garantir a fidelidade de partidos à base do governo.

“As provas angariadas demonstram que Lula foi o grande general que comandou a realização e a continuidade da prática dos ilícitos nesse grande esquema criminoso, com poderes para determinar seu funcionamento e, se quisesse, sua interrupção”, diz a força-tarefa. “Lula foi o elo comum essencial que permitiu a conexão de diversos personagens envolvidos na Lava Jato, sendo que o seu poder de decisão tornou a estratégia de governabilidade corrompida viável”.

2 – Interesse político

O ex-presidente foi o “maior interessado e beneficiário do cenário de governabilidade corrompida e da perpetuação criminosa no poder”, diz a Lava Jato. Segundo o MPF, houve a “formação de um colchão de propina que seria usado para financiar campanhas eleitorais nos mais diversos níveis”.

“Em vez de buscar apoio político por intermédio do alinhamento ideológico, Lula comandou a formação de um esquema criminoso de desvio de recursos públicos destinados a comprar apoio parlamentar de outros políticos e partidos, enriquecer ilicitamente os envolvidos e financiar caras campanhas eleitorais do PT em prol de uma permanência no poder assentada em recursos públicos desviados”, pontuou a força-tarefa.

3 – Uso da Petrobras

Segundo os procuradores, a Petrobras teve “relevante e estratégico papel na estrutura criminosa” que, segundo suas palavras, foi liderado por Lula desde o momento em que ele assumiu a Presidência da República, em 1º de janeiro de 2003.

“Em um horizonte de macrocorrupção, a alocação de pessoas envolvidas no estratagema ilícito nas mais prestigiadas diretorias da sociedade de economia mista [Petrobras] permitia o crescimento [da corrupção]”, disse a força-tarefa. Ela considera que isso permitiu “o ótimo funcionamento desse esquema, garantindo, por consequência, a manutenção do poder político e o enriquecimento ilícito por parte de seus beneficiários”.

Para confirmar isso, o MPF usou depoimento do senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido/MS) a Moro.

4 – Encontro

O MPF também usa como argumento para implicar Lula o encontro entre ele o ex-diretor da Petrobras Renato Duque em 2014, conforme relatou o ex-presidente durante depoimento a Moro. A reunião foi intermediada pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

De acordo com o ex-presidente, eles falaram sobre denúncias das quais o ex-diretor era alvo. “A pergunta que eu fiz para o Duque foi simples: ‘tem matéria nos jornais, tem denúncias de que você tem dinheiro no exterior, de ficar pegando da Petrobras e botando no exterior. Você tem conta no exterior?’. Ele falou: ‘não tenho’. Não mentiu para mim, mentiu para ele mesmo”, disse Lula.

Esse episódio levantou questionamentos por parte da força-tarefa: “ora, qual a relação entre um ex-presidente da República, que deixou o cargo há mais de quatro anos, e um ex-diretor da Petrobras? Por que Lula buscou saber sobre contas no exterior de Renato Duque?”. Para eles, “a melhor explicação, em consonância com a denúncia, é a intrínseca relação de Lula com os crimes praticados na Petrobras”.

5 – Recebimento de favores

O petista teria recebido cerca de R$ 2,4 milhões “por meio de expedientes de ocultação e dissimulação de propriedade de bens e valores, isto é, mediante atos de lavagem de dinheiro”. O valor seria referente a um esquema que beneficiaria contratos entre a OAS e a Petrobras.

“Lula, contando com a atuação de Renato Duque, Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa nas diretorias de Serviços e de Abastecimento da estatal, foi o responsável pela geração e pagamento de vantagens indevidas de, pelo menos, R$ 87.624.971,26, oferecidas e prometidas por Léo Pinheiro e Agenor Medeiros, executivos da OAS, para que estes obtivessem benefícios nas referidas obras [refinarias no Paraná e em Pernambuco]”, relatam os procuradores.

6 – Propriedade oculta

A Lava Jato afirma que Lula “oculta ser proprietário de um bem proveniente de um crime” ao se referir ao tríplex. A força-tarefa ainda rebate o argumento da defesa de Lula de que não há documentos que comprovem a propriedade do aparamente. “Dizer que ‘não há escritura assinada’ pelo réu Lula é confirmar que ele praticou o crime de lavagem de dinheiro”.

“Como provado no presente caso, sendo o tríplex no Guarujá destinado ao réu Lula pela OAS a partir dos crimes de corrupção contra a administração pública federal, sobretudo contra a Petrobras, esconder que o réu Lula é o proprietário do imóvel configura o crime”, pontuam.

Para os procuradores, “a dissimulação, no entanto, tornou-se irrefragável diante das provas apresentadas na denúncia e colhidas na instrução processual”. Eles citam documentos que provariam a ligação ao apartamento. Um deles, encontrado na residência de Lula, apresentava rasuras. “Sobre o documento rasurado, Lula não conseguiu apresentar qualquer justificativa plausível em seu interrogatório”.

7 – Pedido à OAS

O depoimento de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, também é usado para ligar o ex-presidente ao condomínio no Guarujá. Segundo o executivo, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, havia pedido, em 2009, para a OAS assumir o empreendimento, que era da Bancoop, cooperativa que estava sem condições de manter o condomínio, cujas obras já estavam atrasadas.

“Quando ele me mostrou esses dois prédios do Guarujá, eu fiz uma ressalva a ele que não nos interessava atuar”, disse Pinheiro em audiência na Justiça Federal no Paraná. De acordo com ele, a OAS só se interessava em atuar em grandes capitais.

O ex-chefe da OAS, então, relata: “ele [Vaccari] me disse: ‘olha, aqui temos uma coisa diferente, existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula, diante do seu relacionamento com o presidente, o relacionamento da empresa, eu acho que, nós estamos lhe convidando para participar disso por conta de todo esse relacionamento e do grau de confiança que nós depositamos na sua empresa e na sua pessoa'”.

 

Fonte:https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/06/19/confira-7-fatores-apontados-pela-lava-jato-para-pedir-a-prisao-de-lula.htm