Música muda sonhos de crianças e adolescentes em bairro carente de Natal; ‘Transformou minha vida’, diz aluna

Gleyce Kelly Fernandes Monteiro, de 15 anos, toca tuba e quer se formar em Música (Foto: Igor Jácome/G1)

Não quero isso. Eu nem queria estar aqui”, disse a menina de 13 anos, quando o professor de música lhe ofereceu a tuba. Cerca de um ano e meio depois, Gleyce Kelly Fernandes, agora com 15 anos, quer ser musicista, se especializar no instrumento de sopro e tocar mundo afora.

O sonho dela também é o de outras crianças do bairro de Mãe Luiza, na Zona Leste de Natal, onde a música vem dando novas perspectivas de vida às crianças e adolescentes. A menina faz parte da primeira formação da Banda Filarmônica do bairro, criada em 2016 pelo Centro Sócio-Pastoral Nossa Senhora da Conceição.

Quando as aulas começaram, ela foi matriculada pela mãe, junto com outras duas irmãs. “Vim obrigada. Eu não queria, não gostava de acordar cedo de manhã, só queria ficar em casa e não fazer nada, mas fui me apaixonando. O projeto tranformou minha vida”, conta a adolescente.

A Gleyce Kelly daquela época, porém, já não se parece com jovem que vai todas as manhãs à sede recém-inaugurada da banda, para estudar música, embora suas aulas sejam apenas às segundas e quartas-feira. À tarde, ela faz o 9º ano em uma escola pública da capital. A menina já pensou em ser advogada, arquiteta e investigadora criminal, mas hoje tem o maior foco na música.

Professora Paula Francinete Vicente rege parte da Banda Filarmônica de Mãe Luiza, em Natal (Foto: Igor Jácome/G1)
Professora Paula Francinete Vicente rege parte da Banda Filarmônica de Mãe Luiza, em Natal (Foto: Igor Jácome/G1)

Mãe Luiza

Localizada entre bairros nobres da capital potiguar, a comunidade de Mãe Luiza surgiu da ocupação de sertanejos que buscavam fugir da seca, na década de 1960. No último Censo, foram contados 15 mil habitantes.

Ali, segundo o IBGE, 77% dos chefes de família ganham até um salário mínimo. Outros 4% não têm renda. O tráfico de drogas e a guerra entre facções criminosas que querem dominar esse mercado ilegal fazem parte da realidade das famílias.

Gleyce Kelly sabe o que é isso. Perdeu um irmão, que não chegou a conhecer, para o crime, apesar da busca dos pais por um caminho diferente. “Tenho outros parentes nessa vida, mas minha mãe preferiu trabalhar, meu pai também, e eu não quero me envolver com isso. Amo todos, mas não quero me envolver”, diz.

Fonte: https://g1.globo.com/rn/