‘Quero permanecer viva’, diz mulher que busca diagnóstico há 10 anos

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Alexsandra Martins busca um diagnóstico que lhe proporcione um tratamento adequado (Foto: Karla Larissa/G1)

Faz 10 anos que Alexsandra Martins, que hoje mora em Natal, tenta descobrir quais as causas de uma série de problemas de saúde que a tem deixado debilitada. Ao longo deste tempo, ela passou por médicos de diversas especialidades, em vários estados, e já recebeu muitos diagnósticos. Nenhum deles, no entanto, confirmado por exames. Em abril, aos 41 anos, Alexsandra chegou a pesar 38 quilos. Para ela, a angústia de não saber qual a doença é ainda pior do que estar doente, pois sem isso não é possível receber um tratamento adequado. “Quero permanecer viva”, diz ela.

“O pior não é ficar doente, mas ficar sem um possível tratamento, uma possível cura, ficar sem o tal diagnóstico escrito num papel”, afirma Alexsandra.

Natural de Manaus, Alexsandra foi diagnosticada pela primeira vez com hérnia de disco. “Os primeiros sintomas começaram quando eu morava em Belém, no Pará. Eu era uma pessoa saudável e tinha uma vida normal. Um dia, acordei sentindo fortes dores na lombar. Como não passou, recorri até a emergência. Na época, me deram apenas um analgésico e fui pra casa. Passados alguns dias, fui internada com suspeita de hérnia de disco e ali fiquei por 17 dias. Sem melhoras, me deram alta. Passei dois meses em casa, de cama, tomando várias medicações. Depois destes dois meses, se iniciou outra dor, mas essa já era no braço, ao lado esquerdo”, conta.

Há 10 anos, em Belém, Alexsandra era uma pessoa saudável e tinha uma vida normal (Foto: Karla Larissa/G1)
Há 10 anos, em Belém, Alexsandra era uma pessoa saudável e tinha uma vida normal (Foto: Karla Larissa/G1)

Depois disso, Alexsandra não recuperou mais a saúde. Foi atendida por médicos neurologista, gastroenterologista, hematologista, alergista, dermatologista, proctologista, oftalmologista, reumatologista, pneumologista, além de psicólogos e nutricionistas. Além da hérnia de disco, ela já recebeu diagnósticos de fibromialgia, depressão, síndrome do piriforme, episclerite (devido a uma hemorragia no olho), adenomiose (que necessitou de uma cirurgia de histerectomia), retocolite, síndrome do pânico e porfiria. “Este ano fui parar em um hospital do Rio de Janeiro para realizar um exame de alto custo que não tem aqui em Natal. E, lá, descartaram o diagnóstico de retocolite e doença de Crohn. Também o diagnóstico de porfiria, que tem os sintomas bastante similares aos que eu sinto, mas infelizmente ou felizmente, o exame que ele pediu deu normal”, relata Alexsandra.

Alexsandra explica que seus sintomas atuais são dor na barriga, distensão abdominal, febre contínua, sangue nas fezes, fadiga, anemia, dor na perna e emagrecimento. “Não consigo voltar ao meu corpo, embora agora eu me encontre com 41 quilos, segundo a minha nutricionista, ainda preciso recuperar meu peso, que era 55 quilos. Também não durmo bem desde 29 de dezembro de 2006, quando os sintomas começaram”.

Casada com um militar da reserva, Alexsandra tem recebido assistência médica de hospitais militares, mas também do SUS e médicos particulares. “Já gastamos muito com exames e medicações”, lembra.

Alexsandra já fez exames com vários especialistas, mas nenhum conseguiu descobrir o que ela tem (Foto: Karla Larissa/G1)
Alexsandra já fez exames com vários especialistas, mas nenhum conseguiu descobrir o que ela tem (Foto: Karla Larissa/G1)

Em razão da doença, ainda sem nome, Alexsandra teve que abrir mão de muita coisa nestes 10 anos que se passaram. “Deixei de trabalhar, estudar e tive que abrir mão de sonhos e lazer. Tem dias que não dá para fazer nada. Tenho dois filhos, uma menina de 22 anos e um menino de 20, e mesmo doente não posso parar. Cuido deles e faço o que posso. Também foi frustrante ver meu marido deixar de trabalhar para cuidar de mim”, lamenta.

Alexsandra diz que gostaria que algum médico se interessasse em estudar o seu caso. “Ainda não sei ao certo se existe apenas um diagnóstico para tantos sintomas, mas sei de uma coisa, é impossível não desencadear outras doenças com tantos sintomas, principalmente ansiedade e depressão, pois quem vive numa luta diária buscando respostas para sanar a dor, morre um pouquinho todos os dias. Cada segundo é crucial para que a vida seja salva. Luto diariamente para permanecer viva, pois a minha doença depende de um tal diagnóstico, mas a minha vida depende de Deus”, desabafa.