Tentativa de empresas para reaquecer comércio levou Manaus a criar maior número de empregos no País em 2020, avaliam economistas

Sine Manaus seleciona candidatos para 38 vagas de emprego  — Foto: Márcio James / Semcom
Sine Manaus seleciona candidatos para 38 vagas de emprego — Foto: Márcio James / Semcom

Manaus alcançou o 1º lugar no ranking das 50 cidades brasileiras que criaram mais vagas de emprego com carteira assinada em 2020, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foram 10.869 empregos criados na capital amazonense no ano passado.

Com um novo surto da Covid, o comércio não essencial está proibido de abrir desde o dia 2 de janeiro deste ano, e a circulação de pessoas também está restrita em todos os municípios durante as 24 horas do dia. A medida foi prorrogada até 7 de fevereiro. Até esta quinta (28), mais de 7,6 mil pessoas morreram com Covid no estado.

Para o economista Eduardo Souza, ao levar em consideração o parâmetro geral, a tentativa de reaquecer a economia durante a pandemia contribuiu para que Manaus ocupasse esse 1º lugar no ranking.

Para ele, o aumento na procura por empregadores surgiu no momento em que os contratantes visavam uma recuperação positiva durante a pandemia.

“As empresas estavam tentando voltar a reaquecer o mercado. E, para esse reaquecimento, precisa aumentar o volume de produção com a contratação de novas pessoas. Logo, esses dados de 2020 consigam refletir essa situação: a tentativa da economia se reerguer”, disse.Capitais que mais criaram vagas de emprego com carteira assinada em 2020 Manaus aparece em 1º lugar no ranking de cidades.
Fonte: CAGED

“Passamos por um período de crise, de isolamento social, que houve a necessidade de um aumento no volume de desempregos para os empresários sobreviverem com suas firmas. No momento que essa crise epidemiológica, pelo menos nos meses passados, aparentou dar uma ‘tranquilizada’, houve um reaquecimento. Agora, sabemos que a situação voltou a piorar”, completou.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio), Aderson Frota, ressalta que houve um decréscimo no número de empregos em relação aos últimos cinco anos.

“O que se observa é que o mercado realmente encolheu. Primeiro tivemos muitos percalços, grandes oscilações nas vendas, um momento muito difícil e isso está refletindo no total dos números do Caged. As admissões foram mais positivas que os desligamentos, mas se você observar o número total, houve um decréscimo ao longo desses últimos cinco anos”, afirmou.

O presidente da Federação das Câmaras de Lojistas do Amazonas (FCDL), Ezra Azury Benzion, relacionou o auxílio emergencial do governo federal com a retomada positiva da economia. Ele diz que o auxílio manteve o poder de compra da população e ajudou a movimentar o comércio.

“O dinheiro do auxílio emergencial ajudou muito a oxigenar o comércio da cidade. Em 2020, apesar da situação que vivemos, também tivemos a abertura de muitos supermercados e lojas. Foi um ano que muitas empresas cresceram aqui, abriu filiais, principalmente nas zonas Norte e Leste de Manaus”, contou.

O auxílio emergencial foi encerrado em dezembro do ano passado, mas por conta do caos vivido no Amazonas, a Defensoria Pública da União entrou com pedido na Justiça para manter o benefício de R$ 300 por mais dois meses ou até que acabe a fila de leitos no sistema público de saúde. Nesta quinta, o Governo do Amazonas anunciou auxílio de R$ 600 para famílias em extrema pobreza.

G1RN